O artista holandês Sander Veenhof foi um dos selecionados para participar da residência no Brasil do labmovel. Em entrevista a Julia Bac pelo Skype, ele falou do seu trabalho com realidade aumentada, suas expectativas artísticas, do seu encontro com o brasileiro Pixel, o outro selecionado, e do que pretende apresentar no Brasil.

Você pode explicar brevemente sobre o seu projeto de realidade aumentada para este projeto de residência artística?
Originalmente eu pensei em criar uma espécie de sistema que o público poderia usar se soubesse fazer uma pouco de programação, mas eles teriam que construir tudo e criar tudo. Existiriam alguns componentes prontos para serem usados de uma maneira muito fácil, mas agora estou pensando que talvez deveria ser ainda mais fácil. Nós acharíamos exemplos que seriam aplicáveis para a necessidade atual das pessoas. Se você quiser contar uma estória, aí nós temos que fazer um sistema que você possa fazer contação de estória. Eu acho que é um pouco difícil para fazer as pessoas começarem com programação.

Você conversou pela primeira vez com Pixel, o artista brasileiro. Qual foi sua primeira impressão e quais são as suas expectativas de trabalharem juntos?
Foi bom nos conhecermos e saber quais os desenvolvimentos no qual estamos envolvidos. Existe uma diferença na situação do Brasil e da Holanda. No Brasil não existem tantas pessoas com smart phones com conexão a internet  e na Holanda existem muitas pessoas com conexão. Esta é uma diferença importante para entender quem é o nosso público. Se nós estamos pensando em fazer um único projeto, nós não queremos fazer algo muito complexo para o Brasil, mas também precisamos pensar que na Holanda as pessoas tem acesso com os smart phones.

Você pode explicar sobre os “nossos desenvolvimentos” que você mencionou?
Pixel está usando um sistema aberto e eu estou usando outra tecnologia. Eu estou usando aplicativos como o Layer e o Junaio, que para mim também é um tipo de tecnologia aberta. Esses são dois aplicativos que podem ser usados para fazer a realidade aumentada facilmente. Talvez nós possamos pensar não em desenvolver todo um novo sistema, mas ver o que o Layer e o Junaio podem oferecer.

Sua primeira intenção mudou um pouco depois de conversar com o Pixel…
Bom, quando você começa desde o início você pode fazer diferente do que quando já existe algo que já foi desenvolvido, e segue em determinada direção, então você pode fazer uso disto também.

O que mudou na sua proposta depois de sua conversa com o Pixel?
Agora eu acho que seria bom dar um passo para trás e pensar qual é o nosso objetivo, o que nós queremos fazer. Porque o Pixel estava criando exposições, fazendo com que o publico visualizasse a realidade aumentada baseada em um marcador que você coloca em algum lugar. Mas agora nós precisamos pensar o que nós levaremos para o público.
Pessoalmente, o que eu gosto é que existe um espaço virtual que está em todo o lugar, o mundo inteiro tem agora um universo paralelo, que é tão flexível e tão aberto a qualquer pessoa, que pode ter um número infinito de estórias. Então, seria bom fazer um sistema que poderia ser interessante para qualquer pessoa que tem uma estória para contar. Deixar que as pessoas contem estórias no lugar em que elas acontecem. Eu acho que o trabalho do Pixel é mais orientado visualmente e eu estava pensando em adicionar textos as imagens. Fazer uma anotação textual das ruas. Nós poderíamos ir na direção de documentação ou contação de estórias. Se for contação de estórias, como ficção você tem a oportunidade de incluir personagens, a estória pode ter múltiplos finais e o personagem principal poderia fazer escolhas. Se você está na rua e escolhe ir para a esquerda, por exemplo, você direciona a estória para um determinado desfecho. Nós podemos tanto pedir para alguém na rua contar a estória dela, quanto pedir para um escritor criá-las. Uma das coisas mais importantes para fazer primeiro é que nós temos uma idéia básica do que podemos oferecer e agora é a hora de achar a maneira correta de usá-la. Achar bons exemplos em que as pessoas possam usá-las. Talvez no Brasil nós possamos entrar em contato com pessoas que tenham estórias para contar. Aí seria uma maneira de desenvolver “indo e vindo”, porque eles podem dizer que querem fazer isto ou aquilo e aí teríamos que mudar o sistema um pouco.

Você agora está considerando combinar a técnica do Pixel, usando os marcadores, com a sua idéia. O uso dos marcadores muda muito a sua primeira idéia do trabalho?
Bom, eu acho que se você não usar os marcadores você realmente está acessando o mundo inteiro, você teoricamente pode adicionar as estórias em qualquer lugar. Mas aí as pessoas nas ruas não sabem da presença da realidade aumentada. Elas precisam saber, e aí um adesivo pode ser útil. É um uso diferente, mas talvez os dois possam ser combinados.

Você acha que irá restringir o público que irá alcançar no Brasil, baseado no fato de que a maioria das pessoas de lá, não tem acesso a internet nos telefones?
O que eu gosto sobre esta realidade é que continuará a ficar lá, mesmo que você não consiga vê-la. Se uma pessoa tem acesso uma vez, é de fato ela existe e ela  continuará existindo naquele local. Então, talvez depois essas pessoas possam ter os telefones e possam acessá-las. Mas no começo talvez nós precisaremos de alguns desses aparelhos para as pessoas que não tem os telefones ainda.

Quais são as suas expectativas neste momento?
É bom ver os desenvolvimentos na outra parte do mundo. E é bom saber se as coisas que eu estou criando tem valor em outras partes do mundo também.
Eu vou começar com algum diálogo com o Pixel quando ele chegar aqui e pensar de fato nas implementações, não na parte técnica, mas mais  na parte do exemplo de uso. Antes disso nós podemos pensar na parte técnica e nos preparar tecnicamente um pouco. Nós ainda temos que decidir algumas coisas. Eu acho que ainda acontecerão algumas ligações por skype para ver como as coisas estão indo antes que ele chegue.

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