A 6ª Mostra Competitiva do Vivo arte.mov reúne 43 obras de realizadores de todo o Brasil. É uma amostra abrangente do que foi produzido no último ano usando câmeras portáteis e explorando linguagens em sintonia com a cultura da mobilidade. A mostra oferece ao público um conjunto que revela o amadurecimento e a expansão de uma cena formada como resultado do espaço oferecido pelo Festival, seja ao permitir a circulação de obras com este perfil, seja ao organizar Mostras Informativas que exibem em primeira mão uma produção mundial periférica ao cinema, criando um contexto de debates e reflexões sobre os rumos da linguagem audiovisual contemporânea.

A Competitiva de 2012 apresenta os trabalhos mais recentes de realizadores que construíram uma identidade junto com o Festival (Pixel Banana, Felipe Barros, Igor Amin), mas incorpora também artistas de produção audiovisual sólida que ampliam seu vocabulário ao explorar as possibilidades da portabilidade. A seleção demonstra que o esforço constante de apresentar e discutir as principais tendências do audiovisual produzido na cultura da mobilidade gera resultados consistentes, tanto por oferecer um espaço de ressonância para uma geração de realizadores que formou-se em diálogo com o Festival, quanto por permitir o diálogo entre esses realizadores e artistas que se aproximam desse universo com um olhar constituído a partir de experiências diversas. Essa mistura de diversidade e amadurecimento fica clara também pela presença de realizadores marcados por uma trajetória em fluxo,heterogênea e multifacetada, como Pedro Rocha, Raquel Kogan, Gabriela Greeb e Andrea Veloso (cuja identificação com circuitos específicos é menos estável, apesar de serem nomes familiares para o público do Vivo arte.mov).

São vídeos que transitam por um espectro amplo de procedimentos audiovisuais, e demonstram como o avanço das tecnologias portáteis de filmagem estimula uma convergência cada vez mais intensa com o repertório do cinema e da video arte. No conjunto, estes 43 trabalhos representam possibilidades de linguagem que desestabilizam gêneros estáveis. Se nas primeiras edições do Festival chamava atenção a mistura de tendências, os desdobramentos mais recentes sugerem um cruzamento de linguagens mais efetivo ou, pelo menos, o amadurecimento de um registro híbrido que não pode ser entendido no âmbito do cinema ou do vídeo, mas abre novos vetores de investigação ao reconfigurarem novos contextos suas possibilidades criativas.

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