No bairro Artur Alvim, o Clube Escola Padre José de Anchieta é carinhosamente chamado pelos moradores de Matraca. Mas nem todo mundo sabe a razão do apelido. Nós conhecemos a Célia, que nos contou que a origem do apelido vem do nome de um grupo que organizava o som dos bailes que lá aconteciam semanalmente. Vinha gente de todo canto. Foi no Matraca que passamos o terceiro dia de ações no bairro. E será nesse espaço que o CEU José de Anchieta será construído.

Começamos o dia com o 6° ano (11 e 12 anos) da EMEF Padre Serafin Martinez Gutierrez. Como vem acontecendo, procuramos não perguntar sobre as expectativas com o futuro CEU nos primeiros momentos da atividade, que acabam sendo mais lúdicas e descontraídas. Segurando um espelho e ouvindo as direções do educador, os participantes exploraram visões diferentes da que eles tem normalmente naquele lugar. Através dos reflexos surgem novos enquadramentos do céu, do chão, em interações com o entorno.

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Depois dessa dinâmica, começamos, com um mapa em mãos, uma conversa em torno de suas atividades no bairro. Muitas crianças, residentes na Cohab I, listaram que normalmente andam de bicicleta, mas não na rua em que moram, porque passam muitos carros e por isso é proibido; gostam de brincar de subir em árvores, mas disseram que tem poucas árvores e as que existem estão “no meio do mato” e o pai não os deixa ir lá justificando que pode ser perigoso; Uma menina comenta que gostaria de cuidar da natureza e das plantas, enfatizando que as praças estão muito sujas.

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Um pouco antes de terminar a atividade, sugerimos que as crianças viajassem mentalmente pelo futuro CEU. Fecharam os olhos e fizemos uma condução imaginária pelos ambientes, desde o percurso de entrada, passando pelas áreas externas, a piscina, a praça, até os espaços fechados, a biblioteca, o estúdio de som, etc.

Na parte da tarde, recebemos um grupo de mulheres que frequenta o Matraca para fazer ginástica, outras se juntaram a nós para participar da conversa. Algumas eram antigas moradoras do bairro, e nos contaram histórias, como a do baile do Matraca. As falas eram conduzidas por um cordão, que ia formando uma rede entre elas. Sugerimos uma dinâmica de reconhecimento de seus desejos e habilidades. Os desejos vieram mais evidentes, enquanto as habilidades, só após um momento de reflexão. O que de início era apenas reivindicação, transformou-se em um momento de troca entre as participantes da roda.