Catálogo Labmovel em distribuição

Ficou pronta a publicação que descreve e comenta a trajetória do Labmovel, de 2012 até hoje – produzida pelo Edital Espaços Independentes para Artes Visuais (Proac).
Estamos bem satisfeitos com os resultados e em breve vamos disponibilizá-lo por aqui também em PDF.
Um salve geral para a equipe de produção:

Co-edição: Gisela Domschke | Lucas Bambozzi | Margot Pavan

 Design e comunicação visual: Papaya Madness

Produção de imagem: Lucas Gervilla

Produção executiva: Larissa Alves

Produção gráfica: Lilia Góes

Tradução: Gama Traduções

Gráfica: Corprint

Realização: Diphusa Mídia Digital e Arte Ltda

OFICINAS JOGO E IDENTIDADE

4 Oficinas / 5 mulheres na periferia de São Paulo

Essa série privilegiou a atuação de artistas mulheres na condução dos encontros com a comunidade. Foram realizadas quatro oficinas oferecidas por cinco artistas para adolescentes de ambos os gêneros. Cada oficina teve a intenção de compartilhar experiências e conhecimento prático de maneira lúdica e, ao mesmo tempo, criar conexões sociais dentro das diversas comunidades visitadas pelo Labmovel.

Nessas ações, o desafio de explorar diferentes mídias foi baseado no processo de despertar a curiosidade como forma de empoderamento – um novo olhar da imagem através do uso de objetos do cotidiano como espelhos, jarras, porta-retratos: a revelação do mistério ótico pela construção de um projetor com caixas de papelão, lentes de aumento e celulares a descoberta do uso das tags na rede através da busca de palavras resultando em uma diversidade de imagens e interpretações: e a escuta criativa em um parque público, onde os participantes redescobriram seu entorno através da audição atenta.

Tropixel

O Festival Tropixel aconteceu em Ubatuba a partir de uma rede de colaboradores que se
juntaram a partir de possibilidades colaborativas em torno das fronteiras entre arte, ciência,
tecnologia e sociedade.

O Labmovel se juntou a essa rede de ações viabilizando um conjunto de atividades práticas
e encontros:

Oficina de protótipos: práticas com formas simples de uso espacial, envolvendo
experiências com aviões de papel, pipas especiais, balões de hélio com sacos tipo mylar,
foguetes à pólvora + enxofre, coca cola + menthos, etc. Preparação de câmeras e sensores
de captação aérea.

Debate e encontro de trabalho aberto

com: Fabi Borges, Gisela Domschke, Lucas Bambozzi, Felipe Fonseca, Marcus Bastos
Temas em pauta e discutidos: o sentido dos coletivos espaciais, experiências DIY, efeitos
colaterais das tecnologias espaciais, vigilância aeroespacial, produção de lixo tecnológico,
mapeamento aéreo DIY, contextos eufóricos (discernimento e oportunidade), poética
do espaço (novas fabulações); política e espaço aéreo; produção de imaginário ufólogo;
teorias da conspiração; literatura e filmografia espacial comentada.

Ocupação Galeria Marta Traba

Labmovel participou do evento Cartografias Artísticas Contemporâneas, em uma ação de
mostra dos seus projetos, conduzidos ao longo de 2012 e 2013. A convite da curadora
Lilian Amaral, o Labmovel atuou também como mecanismo de apoio e irradiação da ação
de outros grupos artísticos convidados.

Todo o processo era aberto ao público e culminou com o que os organizadores chamam
de Ocupação Processual da Galeria, com uma programação que compreendia mostras de
vídeos, ciclo de debates, performances e diversas ações.

O evento foi parte do Projeto Co+Labor+Ação, uma parceria entre a Galeria Marta Traba da
Fundação Memorial da América Latina e o Projeto de Extensão R.U.A (Realidade Urbana
Aumentada), articulado à Linha de Pesquisa Arte e MediaCity / GIIP (Grupo Internacional
Institucional de Pesquisa em Convergência entre Arte Ciência e Tecnologia)- Instituto de
Artes da UNESP.

Labmovel participa do Cartografias Artísticas Contemporâneas

RESIDÊNCIA / OCUPAÇÃO GALERIA MARTA TRABA

No dia 06/10 o Labmovel participa do evento Cartografias Artísticas Contemporâneas, em uma ação de mostra dos seus projetos, conduzidos ao longo de 2012 e 2013. A convite da curadora Lilian Amaral, o Labmovel deve atuar também como mecanismo de apoio e irradiação da ação de outros grupos artísticos convidados.

Desde setembro ocorre no Espaço Ateliê da Galeria Marta Traba a Residência Artística Experimental – um laboratório de experimentação poética que segue até 10 de outubro com oficinas e o desenvolvimento de processos criativos dos participantes. Todo o processo é  aberto ao público e culmina com o que os organizadores chamam de Ocupação Processual da Galeria, entre 04 e 10 de outubro com uma programação que compreende mostras de vídeos, ciclo de debates, performances e diversas ações.

O evento é parte do Projeto Co+Labor+Ação, uma parceria entre a Galeria Marta Traba da Fundação Memorial da América Latina e o Projeto de Extensão R.U.A (Realidade Urbana Aumentada), articulado à Linha de Pesquisa Arte e MediaCity / GIIP (Grupo Internacional Institucional de Pesquisa em Convergência entre Arte Ciência e Tecnologia)- Instituto de Artes da UNESP.

Oficina #4: Caminhada Sonora no Parque do Tietê

Acordar ouvidos dormentes: oficina com Vanessa de Michelis expande a percepção dos participantes para reconhecer sons ao redor.

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A atividade escolhida para fechar este ciclo de oficinas do Labmovel, é com Vanessa De Michelis, uma artista fascinada por som e os conceitos de paisagem sonora.

Em um dia de frio e chuva do inverno paulistano, o Labmovel seguiu viagem para o próximo e último destino do mês de Junho: o Parque Ecológico do Tietê, na zona Leste da cidade, uma área bem distante das regiões preferidas por instituições de arte.

Estar em um parque na periferia, longe do grande e movimentado centro de São Paulo, não diminuiu o ruído que escutávamos. Mesmo assim, quando Vanessa pediu que escrevêssemos uma lista com os sons e as imagens que lembrávamos, a lista de imagens era bem maior que a dos sons. E os poucos sons que lembrávamos, estavam ligados ao que tínhamos visto, como sons dos passarinhos, por exemplo.

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Isto porque, explica a artista, a escuta das pessoas, em geral, fica em um estado de dormência, e esse estado só muda quando escutamos sons que estamos condicionados a entrar em estado de alerta, como ao ouvir o som de uma buzina, ou uma sirene. Mas, os ruídos comuns ao dia a dia na cidade, passam praticamente desapercebidos.

Depois desta primeira introdução, com nossos ouvidos quase que em alerta o tempo todo, Vanessa nos explicou que diferentes áreas do conhecimento se dedicam ao estudo dos sons e paisagens sonoras: a física, a antropologia, a sociologia. Um exemplo mencionado por Vanessa é o de sons que estão em extinção, principalmente em áreas mais afastadas das cidades.

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Em um segundo momento durante a oficina, fizemos um passeio carregando gravadores de som com fones de ouvido para gravarmos e escutarmos os sons ao mesmo tempo. A ficha de uma das participantes, que na primeira parte da oficina ficou vazia, desta vez havia uma longa lista descrevendo as coisas que ela ouviu e lembrou. O que pudemos perceber com o processo de fazer uma lista, que é justamente a primeira conclusão sugerida por Vanessa, é que a partir do momento em que ativamos a nossa percepção sonora, nós também vemos mais coisas, portanto a lista ficou mais longa em ambos aspectos: visuais e sonoros. E com os gravadores, sons que geralmente não percebemos, como nossas pegadas, nossos movimentos, gestos e respiração ficaram mais evidentes em relação a primeira vez que escrevemos a lista. Outra observação foi que com o microfone você escuta coisas que não consegue ver, e por isso começa a procurar de onde veio o som, como pessoas conversando a distância.

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Na última parte da oficina, a artista nos mostrou que o fato de se escutar, nos faz interpretar a realidade de uma determinada forma, e isso pode acontecer de diferentes maneiras: escutando uma música, ou sem escutar absolutamente som nenhum, ou tentando escutar quase tudo. Por isso, a sugestão foi a de que fizéssemos uma caminhada ouvindo um som que ela preparou anteriormente. Escutando essa espécie de “áudio guia”, os participantes tiveram, individualmente, uma nova percepção do parque naquele dia chuvoso.

Assim, com os ouvidos agora menos dormentes, preparamos o Labmovel para voltar para a grande cidade e ser bombardeado de novos estímulos sonoros.

Oficina #3: Identidados no CEU Formosa

Oficina Identidados de Denise Agassi mostra a vastidão da internet utilizando uma plataforma de busca em banco de imagens.

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A Terceira oficina da série do mês de Junho levou o Labmovel para o CEU Formosa. Este CEU possui muitas atividades culturais de dança, teatro, música e inclusive um sarau, que segundo Ernestino, coordenador do núcleo de cultura, “é muito bem freqüentado pela vizinhança”. Mas, a oficina com a artista Denise Agassi, chamada Identidados, traz uma outra percepção sobre o uso da internet para esta esfera cultural.

O trabalho de Denise faz uma compilação das imagens que já estão online. Ela criou um banco de dados chamado mediamagia,  em que o participante digita algumas palavras, e o banco de dados organiza um slide show com imagens, resultado da busca em bancos de imagem online como flicker, por exemplo.

Quando a artista Denise Agassi perguntou para a platéia de adolescentes, ao redor de 13 anos, quem tinha Facebook, um mar de mãos se ergueram e nomes de outras redes como youtube e orkut foram gritadas também. Todos tinham acesso a internet, mas uma questão importante de ser colocada é: será que todos sabem como localizar a informação que procuram na internet?

Este grupo não sabia o que era um “tag”, mas estavam acostumados a “marcar” amigos em fotos no facebook. Portanto, esta vivência, ainda em fase de experimentação para a artista (esta foi a primeira vez que o site foi usado pelo público), foi um tanto investigativa.

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Primeiro os participantes receberam uma ficha para preencherem o nome e o título que queriam dar para o trabalho e uma lista com sugestões de temas. Eles se mostraram um pouco confusos quanto a diferença entre o título e o tema, mas depois de esclarecidos todos começaram a escrever uma lista de palavras que variavam entre: animais, sonhos, sentimentos, futebol e música.

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O fato da busca não trazer o que geralmente se espera, já se mostrou como um dado interessante para todos, mostrando esta vastidão da internet. Uma única palavra pode ter muitas interpretações, fato já esperado pela artista que mostrou que esta plataforma pode mostrar resultados de diferentes maneiras, mostrando a repetição de imagens sobre um mesmo tema, mas uma certa variedade de imagens também.

Denise explicou que o significado de uma palavra na internet é diferente do significado de uma palavra em um dicionário. Segundo ela, no dicionário encontramos uma definição e na internet encontramos possibilidades.

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Neste dia os vidros externos do Labmovel se transformaram em telas e a imagem escolhida por um participante dentro do carro foi projetada no exterior. Depois de horas de vivência com um público muito interessado em ser “marcado” no facebook, o Labmovel, mais uma vez guardou seus aparatos se preparando para a próxima parada.

Imagens por Lucas Gervilla.