OFICINAS JOGO E IDENTIDADE

4 Oficinas / 5 mulheres na periferia de São Paulo

Essa série privilegiou a atuação de artistas mulheres na condução dos encontros com a comunidade. Foram realizadas quatro oficinas oferecidas por cinco artistas para adolescentes de ambos os gêneros. Cada oficina teve a intenção de compartilhar experiências e conhecimento prático de maneira lúdica e, ao mesmo tempo, criar conexões sociais dentro das diversas comunidades visitadas pelo Labmovel.

Nessas ações, o desafio de explorar diferentes mídias foi baseado no processo de despertar a curiosidade como forma de empoderamento – um novo olhar da imagem através do uso de objetos do cotidiano como espelhos, jarras, porta-retratos: a revelação do mistério ótico pela construção de um projetor com caixas de papelão, lentes de aumento e celulares a descoberta do uso das tags na rede através da busca de palavras resultando em uma diversidade de imagens e interpretações: e a escuta criativa em um parque público, onde os participantes redescobriram seu entorno através da audição atenta.

Oficina #4: Caminhada Sonora no Parque do Tietê

Acordar ouvidos dormentes: oficina com Vanessa de Michelis expande a percepção dos participantes para reconhecer sons ao redor.

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A atividade escolhida para fechar este ciclo de oficinas do Labmovel, é com Vanessa De Michelis, uma artista fascinada por som e os conceitos de paisagem sonora.

Em um dia de frio e chuva do inverno paulistano, o Labmovel seguiu viagem para o próximo e último destino do mês de Junho: o Parque Ecológico do Tietê, na zona Leste da cidade, uma área bem distante das regiões preferidas por instituições de arte.

Estar em um parque na periferia, longe do grande e movimentado centro de São Paulo, não diminuiu o ruído que escutávamos. Mesmo assim, quando Vanessa pediu que escrevêssemos uma lista com os sons e as imagens que lembrávamos, a lista de imagens era bem maior que a dos sons. E os poucos sons que lembrávamos, estavam ligados ao que tínhamos visto, como sons dos passarinhos, por exemplo.

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Isto porque, explica a artista, a escuta das pessoas, em geral, fica em um estado de dormência, e esse estado só muda quando escutamos sons que estamos condicionados a entrar em estado de alerta, como ao ouvir o som de uma buzina, ou uma sirene. Mas, os ruídos comuns ao dia a dia na cidade, passam praticamente desapercebidos.

Depois desta primeira introdução, com nossos ouvidos quase que em alerta o tempo todo, Vanessa nos explicou que diferentes áreas do conhecimento se dedicam ao estudo dos sons e paisagens sonoras: a física, a antropologia, a sociologia. Um exemplo mencionado por Vanessa é o de sons que estão em extinção, principalmente em áreas mais afastadas das cidades.

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Em um segundo momento durante a oficina, fizemos um passeio carregando gravadores de som com fones de ouvido para gravarmos e escutarmos os sons ao mesmo tempo. A ficha de uma das participantes, que na primeira parte da oficina ficou vazia, desta vez havia uma longa lista descrevendo as coisas que ela ouviu e lembrou. O que pudemos perceber com o processo de fazer uma lista, que é justamente a primeira conclusão sugerida por Vanessa, é que a partir do momento em que ativamos a nossa percepção sonora, nós também vemos mais coisas, portanto a lista ficou mais longa em ambos aspectos: visuais e sonoros. E com os gravadores, sons que geralmente não percebemos, como nossas pegadas, nossos movimentos, gestos e respiração ficaram mais evidentes em relação a primeira vez que escrevemos a lista. Outra observação foi que com o microfone você escuta coisas que não consegue ver, e por isso começa a procurar de onde veio o som, como pessoas conversando a distância.

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Na última parte da oficina, a artista nos mostrou que o fato de se escutar, nos faz interpretar a realidade de uma determinada forma, e isso pode acontecer de diferentes maneiras: escutando uma música, ou sem escutar absolutamente som nenhum, ou tentando escutar quase tudo. Por isso, a sugestão foi a de que fizéssemos uma caminhada ouvindo um som que ela preparou anteriormente. Escutando essa espécie de “áudio guia”, os participantes tiveram, individualmente, uma nova percepção do parque naquele dia chuvoso.

Assim, com os ouvidos agora menos dormentes, preparamos o Labmovel para voltar para a grande cidade e ser bombardeado de novos estímulos sonoros.

Oficina #4: Andante: Caminhada Sonora e Escuta Criativa

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Neste Domingo, 30 de Junho, o Labmovel estacionará no Parque Ecológico do Tietê e convida você para a oficina andante: caminhada sonora e escuta criativa com a artista Vanessa De Michelis.

O laboratório de mídias móveis desenvolve residências de arte, workshops e eventos culturais. Sob a coordenação de Lucas Bambozzi e Gisela Domschke, esse projeto apresenta um caráter nômade, visa ajudar a criar ambientes temporários, que despertem a curiosidade e maior acesso a situações fora do eixo institucional.

Caminhada sonora é um ato criativo e de investigação que envolve escutar, analisar e/ou gravar o espaço sonoro enquanto se caminha por ele. Os objetivos principais da caminhada sonora são entender o relacionamento entre os caminhantes e o ambiente sônico circundante, e também a relação dos caminhantes com o ambiente circundante quando não estão imersos em sua paisagem sonora “natural”, ou seja, quando uma outra dimensão sonora é acrescida ao ambiente de deslocamento. O ato de ouvir é uma experiência ativa, constitutiva e modificadora da realidade.

Sobre Vanessa De Michelis:

Compositora e artista sonora brasileira, nascida em 1983, residindo atualmente em São Paulo. Investiga paisagens, espaços e tempos sonoros através da criação, apropriação e manipulação de microfones, objetos, instrumentos analógico-digitais e gravações de campo. Nos últimos 8 anos realizou projetos das mais diversas escalas e estilos desde residências artísticas a ações e curadorias em plataformas online, espaços coletivos e redes colaborativas. Atualmente é coordenadora do laboratório de pesquisa em Arte Sonora e Música Experimental no medialab Marginalia + Lab em Belo Horizonte e estuda composição em São Paulo.

Novas oficinas do Labmovel

As atividades para este mês de Junho foram pensadas para um público jovem, e tem como tema a “identidade” e o “lúdico”. A programação do Labmovel envolverá 4 oficinas, uma a cada final de semana, espalhadas pela cidade de São Paulo, nos bairros de Paraisópolis, CEU Jaçanã, CEU Formosa, e parque ecológico do Tietê.

A primeira oficina (dia 8) com as artistas Lea van Steen e Raquel Kogan despertarão o olhar dos participantes do CEU Paraisópolis através de objetos do cotidiano em uma oficina de vídeo. Na segunda oficina (dia 16) a artista Paloma Oliveira proporá para os visitantes do CEU Jaçanã a construção de vídeo-projetores DIY com materiais baratos e equipamentos domésticos, que se encontram em desuso. Já a terceira oficina (dia 27), acontecerá no CEU Formosa e investigará de forma poética sobre o que somos na rede ou sobre o que a rede nos diz que somos, com o título de “Identidados” e mediado pela artista Denise Agassi. Para a última oficina (dia 30) a artista Vanessa de Michellis irá usar dados sonoros para propor discussão sobre as possibilidades e aplicações políticas, didáticas, ecológicas, artísticas e musicais da caminhada sonora e da escuta criativa.

oficina 1: Oficina de Vídeo

artista: Lea van Steen & Raquel Kogan
objetivo: Despertar o olhar dos participantes nas práticas áudio-visuais, através de objetos do cotidiano como panelas, espelhos, jarras, água, vidros, relógios, porta-retratos e etc.
data: 08 de Junho das 12 às 16 horas
local: CEU Paraisópolis – Rua Doutor José Augusto Souza e Silva, s/nº – Jardim Parque Morumbi – São Paulo/SP. Tel: (11) 3501-5660

oficina 2: Projetores portáteis DIY

artista: Paloma Oliveira
objetivo: Esta oficina propõe a construção de vídeo-projetores DIY com materiais baratos e equipamentos que se encontram em desuso em sua casa  e no seu bolso.
data: 16 de Junho
local: CEU Jaçanã

oficina 3: Identidados

artista: Denise Agassi
objetivo: Investigação poética sobre o que somos na rede ou sobre o que a rede nos diz que somos
data: 27 de Junho
local: CEU Formosa

oficina 4: Andante: Caminhada sonora e escuta criativa

artista: Vanessa de Michellis
objetivo: Através dos dados sonoros captados discutiremos possibilidades e aplicações políticas, didáticas, ecológicas, artísticas e musicais da caminhada sonora e da escuta criativa.
data: 30 de Junho
local: Parque Ecológico do Tietê