OFICINAS JOGO E IDENTIDADE

4 Oficinas / 5 mulheres na periferia de São Paulo

Essa série privilegiou a atuação de artistas mulheres na condução dos encontros com a comunidade. Foram realizadas quatro oficinas oferecidas por cinco artistas para adolescentes de ambos os gêneros. Cada oficina teve a intenção de compartilhar experiências e conhecimento prático de maneira lúdica e, ao mesmo tempo, criar conexões sociais dentro das diversas comunidades visitadas pelo Labmovel.

Nessas ações, o desafio de explorar diferentes mídias foi baseado no processo de despertar a curiosidade como forma de empoderamento – um novo olhar da imagem através do uso de objetos do cotidiano como espelhos, jarras, porta-retratos: a revelação do mistério ótico pela construção de um projetor com caixas de papelão, lentes de aumento e celulares a descoberta do uso das tags na rede através da busca de palavras resultando em uma diversidade de imagens e interpretações: e a escuta criativa em um parque público, onde os participantes redescobriram seu entorno através da audição atenta.

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Oficina #2: criação de projetores no CEU Jaçanã

Entender para poder criar. Oficina de Paloma Oliveira mostra possibilidades de criação de projetores DIY.

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As três letras D, I, Y, tem origem da expressão em inglês “do it yourself”, ou em português “faça você mesmo”. Resumidamente, a mentalidade “faça você mesmo”, parte da idéia de que a qualquer um pode produzir ou construir algo com as próprias mãos, sem depender de prestadores de serviço especializados. A artista Paloma Oliveira, propõe a construção de um projetor portátil, partindo do princípio que fica mais fácil construir esse aparelho, se você entender como este funciona.

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Assim, a segunda oficina do Labmovel ocorreu na zona norte da cidade, e começou com a explicação de Paloma contando um pouco sobre a história da imagem projetada. Desde os tempos dos homens primitivos, a percepção da imagem projetada nas paredes das cavernas, já suscitava o interesse e curiosidade das pessoas. A caverna, nesse contexto, funcionava como o que hoje reproduzimos e entendemos como câmara obscura. Ao longo da História, a apropriação desse tipo de imagem, foi se desenvolvendo de diferentes maneiras, como pela fotografia e depois o cinema.

Paloma bolou um pequeno guia impresso para que os participantes pudessem ter mais informações na montagem do projetor, e esse guia fica disponível no site da artista.

Os participantes, moradores do bairro de Jaçanã, eram adolescentes e faziam parte da mesma turma da escola, o que foi fácil de se perceber, pelas piadas e brincadeiras que uns faziam com os outros. Nesse clima descontraído, em meio a festa Junina do CEU, a oficina foi se desdobrando. Primeiro, os participantes construíram juntos um projetor e depois partiram para seus projetos individuais, cada um construindo o seu projetor. Com materiais bem simples: uma caixa, uma lente de aumento barata e o celular de cada participante, o projetor foi tomando forma.

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Depois de pronto, os participantes usaram imagens dos seus celulares para projetarem em uma superfície. O interior do Labmovel foi usado para melhorar a qualidade da visualização, já que aprendemos também que quanto mais escuro o ambiente, mais fácil de se ver a imagem projetada. Os participantes entraram no Labmovel individualmente para ver o seu projetor fazendo sua função.

Oficina #2: Entrevista com Paloma Oliveira

A artista Paloma Oliveira mediará amanhã uma oficina de construção de projetores portáteis DIY no CEU Jaçanã. Por isso, a equipe do Labmovel lançou uma série de perguntas e respostas:

Equipe Labmovel: como foi sua aproximação ao vídeo? conte um pouco sobre o começo do seu trabalho artístico.

Paloma: Começou com um amigo. Quando eu tinha 16 anos ele estava na faculdade de comunicação e queríamos dominar o mundo fazendo curta-metragens experimentais, meio Glauber Rochiniano “câmera na mão e idéia na cabeça”.

Mas entre adolescência e descoberta de mundo, efetivamente só comecei a pensar em um trabalho artístico na pós-graduação, quando descobri outro grupo de amigos e de professores que se tornaram amigos, que me expandiram possibilidades de criação e leitura de mundo. E foi lá que conheci o Lucas (Bambozzi), com quem tive o enorme prazer de trabalhar nos últimos 6 anos e que me mostrou outros universos, meu mentor. E nesse caminho o caminho se fez, fui descobrindo meus interesses, técnicas, pessoas…

EL: quando você trabalha com vídeo e vídeo instalações, qual é a importância do tipo de equipamento que você usa para o resultado do seu trabalho?

P: As ferramentas devem se adequar a sua idéia, ao que se quer mostrar. Isso em um universo perfeito, o que não existe. O que existe é uma equação entre conceitos e possibilidades, tanto financeiras, quanto de espaços expositivos e tempo.  Gosto muito da galera de teatro, que me ensinou como resolver questões que poderiam ser complexas com uma fita crepe! Ou com um barbante, algo simples. Ferramenta não deve ser limitadora de trabalho, mas tem trabalhos que sem um mínimo não pode existir. Entende?

EL: como você começou a construir vídeo projetores?

P: Elaborei essa proposta especialmente para o Labmovel, pensando em tecnologias móveis a serem construídas. Vem de uma cultura DIY (do it yourself = faça você mesmo), da vontade de montar e desmontar coisas, de entender como as coisas funcionam. Mas o interesse específico por vídeo projetores veio de trabalhar com eles e de ensinar sobre vídeo, ficava aquela pulguinha atrás da orelha: mas como? E assim começou a pesquisa, que ainda é bem recente e cada vez que começo outros universos se abrem.

EL: o que mais é possível reinventar com materiais que achamos que é lixo?

P: Hum… depende. Em meio a cultura da obsolescência talvez muito e talvez quase nada. Penso que deveríamos ter mais o costume de consertar antes de descartar, que vem de um pensamento do consumo do que se necessita, de buscar melhores materiais. Hoje conseguimos reaproveitar um tanto de equipamentos antigos, como os retro projetores, porque eram feitos de metal, com lentes e espelhos incríveis. Mas não tenho tanta certeza sobre os novos materiais que saem das fábricas.

De um lado existe a renovação: reaproveita-se peças, containers, reconstrói de outra forma. De outro existe a possibilidade do sucateamento. Mas existe um limite para esse reaproveitamento e sucateamento, é necessário que a própria indústria seja capaz de pensar em um produto e seu ciclo de vida, não só na biodegradação, mas em como esse material poderá ser algo outro depois de sua utilidade primeira ter sido esgotada.

EL: esta nova série de oficinas são feitas por mulheres. Você acha que na arte e tecnologia há poucas mulheres?

P: Não gosto muito das discussões sobre gêneros, acho que são separatistas e não muito construtivas. Mas acho sim que, comparativamente, há muito menos mulheres que homens em funções técnicas no geral. E arte e tecnologia demanda pensamento e ações mais técnicas. Mas já é percebível uma mudança desse esquema. Hoje encontram-se muitas mulheres em hacklabes e cursos, acadêmicos ou não, técnicos. E isso traz muitos benefícios para as áreas, além de um equilíbrio! Um dos benefícios que vejo é ter uma visão mais sensível e abrangente. Muitas mulheres chegam ao desenvolvimento digital a partir, por exemplo, de tecnologias vestíveis, que tem a ver com bordar, costurar, delicadezas… pensar no conforto e na usabilidade. E é justamente esse tipo de interface que tem mudado o mundo, com interfaces que nos mediam com o mundo digital cada vez mais intuitivas.

EL: Você acompanha o Labmovel desde o início. o que mais gosta no projeto?

P: Além do charme absoluto da kombosa rsrs gosto um tanto da idéia de pensar novas formas de educação e comunicação. Gosto muito da idéia de juntar pessoas da comunidade em praça pública, em retomar esse olho no olho com nossos vizinhos e da vontade de dividir uma técnica com um ar informal, de brincadeira.

Oficina #2: Projetores portáteis DIY

A oficina 2: Projetores portáteis DIY vai acontecer no próximo domingo, dia 16 de junho, das 13h30 as 17h30 no CEU Jaçanã. A artista Paloma Oliveira vai ensinar a construir vídeo projetores DIY com materiais baratos e equipamentos que se encontram em desuso em sua casa  e no seu bolso.

Sobre a oficina
Já pensou que é possível transformar seu celular ou tablet em um projetor de vídeo?
Esta oficina propõe a construção de vídeo-projetores DIY com materiais baratos e equipamentos que se encontram em desuso em sua casa.
Já pensou que massa poder ver vídeos de seu celular projetados na parede de sua casa? E na tela de uma kombi em uma pracinha?
Então bora aprender!
Materiais usados na oficina:  tablet, celular, caixas de papelão (mais legal ainda se forem encontradas na rua ou que sejam doadas pelo super mercado), canos de papelão, fresnel (retirado de retro projetores velhos ou comprados, encontra por cerca de R$20,00), lentes de aumento (do suporte do ferro de solda, do avô, faça o teste e veja qual funciona melhor), espelho (desses de 1 real), cola quente, papel alumínio, parafusinhos pequenos, tecido preto, caixas de som? hum… maybe… pra conectar no celular… tesoura, estilete, caneta piloto (pra desenhar no papelão)

E em homenagem ao bairro, vamos lembrar deste clássico de Adoniran Barbosa.

Novas oficinas do Labmovel

As atividades para este mês de Junho foram pensadas para um público jovem, e tem como tema a “identidade” e o “lúdico”. A programação do Labmovel envolverá 4 oficinas, uma a cada final de semana, espalhadas pela cidade de São Paulo, nos bairros de Paraisópolis, CEU Jaçanã, CEU Formosa, e parque ecológico do Tietê.

A primeira oficina (dia 8) com as artistas Lea van Steen e Raquel Kogan despertarão o olhar dos participantes do CEU Paraisópolis através de objetos do cotidiano em uma oficina de vídeo. Na segunda oficina (dia 16) a artista Paloma Oliveira proporá para os visitantes do CEU Jaçanã a construção de vídeo-projetores DIY com materiais baratos e equipamentos domésticos, que se encontram em desuso. Já a terceira oficina (dia 27), acontecerá no CEU Formosa e investigará de forma poética sobre o que somos na rede ou sobre o que a rede nos diz que somos, com o título de “Identidados” e mediado pela artista Denise Agassi. Para a última oficina (dia 30) a artista Vanessa de Michellis irá usar dados sonoros para propor discussão sobre as possibilidades e aplicações políticas, didáticas, ecológicas, artísticas e musicais da caminhada sonora e da escuta criativa.

oficina 1: Oficina de Vídeo

artista: Lea van Steen & Raquel Kogan
objetivo: Despertar o olhar dos participantes nas práticas áudio-visuais, através de objetos do cotidiano como panelas, espelhos, jarras, água, vidros, relógios, porta-retratos e etc.
data: 08 de Junho das 12 às 16 horas
local: CEU Paraisópolis – Rua Doutor José Augusto Souza e Silva, s/nº – Jardim Parque Morumbi – São Paulo/SP. Tel: (11) 3501-5660

oficina 2: Projetores portáteis DIY

artista: Paloma Oliveira
objetivo: Esta oficina propõe a construção de vídeo-projetores DIY com materiais baratos e equipamentos que se encontram em desuso em sua casa  e no seu bolso.
data: 16 de Junho
local: CEU Jaçanã

oficina 3: Identidados

artista: Denise Agassi
objetivo: Investigação poética sobre o que somos na rede ou sobre o que a rede nos diz que somos
data: 27 de Junho
local: CEU Formosa

oficina 4: Andante: Caminhada sonora e escuta criativa

artista: Vanessa de Michellis
objetivo: Através dos dados sonoros captados discutiremos possibilidades e aplicações políticas, didáticas, ecológicas, artísticas e musicais da caminhada sonora e da escuta criativa.
data: 30 de Junho
local: Parque Ecológico do Tietê